30 de mai de 2015

Sexo e Fé 1° Parte: Suméria e Egito

De dádiva dos deuses a pecado capital, de caminho de libertação espiritual a condenação eterna. Cheio de controvérsias, motivo de batalhas e alvo de todo tipo de mitologia.
Ele move o mundo, está presente em nosso cotidiano, em nossas vidas, rege nossas escolhas mais profundas e afeta, de maneira excepcional, nossas personalidades.
Ele é o sexo.
O sexo é hoje um conglomerado de coisas, escolhas e comportamentos individualizados e pessoais mas, ao observarmos o passado, qual é o panorama de sua história? O que nos revelaria uma busca em outras épocas a cerca de como ele era visto, sentido e, na mais pura explicitez, praticado em antanho? E o mais importante:
Como foi que chegamos a opinião, e visão, que possuímos dele nos dias de hoje?
Façamos uma viajem rápida, mas abrangente, através da história sexual dos grandes impérios de passado para pintarmos um quadro próximo de como eles viam, entendiam e sentiam o sexo.


Eles viam, entendiam e sentiam o sexo.
A Suméria é sem dúvidas o berço da humanidade em vários sentidos, devemos a eles a escrita, a matemática (ao menos o início da matemática) e a agricultura, entre outras coisas; e o sexo não poderia "ficar de fora" desta lista magnífica.
Na antiga Suméria o sexo era algo normal do cotidiano das pessoas. O casamento era uma realidade mas, como era comum a todos os povos contemporâneos da época, era algo meramente político, ou seja, muitos casamentos eram baseados na obtenção de posses e bens, principalmente nas esferas sociais ricas. A mulher tinha obrigações sexuais com o marido, uma espécie de exclusividade, mas o marido, como também era comum à época podia "divertir-se" com concubinas e prostitutas. Fazendo com que a infidelidade fosse, exclusivamente, feminina, punida com a morte por apedrejamento ou na fogueira.
Os reis sumérios levavam a prática do sexo "masculino livre" ao extremo, utilizando-se de um "contrato" que os obrigava a ter relações sexuais com as sacerdotisas de Inanna, deusa da fertilidade, erotismo, amor e fecundidade. Ou seja além dos prazeres com mulheres "mundanas" os reis sumérios ainda podiam alcançar uma espiritualidade elevada ao deitarem-se com sacerdotisas e profetisas.
De fato os sumérios encaravam o sexo como algo "purificador" e, até mesmo, com capacidades curativas. No "Épico de Gilgamesh" o herói do enredo central, o próprio Gilgamesh, fica sabendo que uma criatura de nome Enkidu, que reside na floresta, é um selvagem maravilhosamente poderoso e, portanto, seria um inimigo formidável, ou um aliado mais formidável ainda. Gilgamesh desejoso de "domar" Enkidu, mas temendo uma batalha épica que pudesse destruir seu reino, utiliza-se de uma artimanha inteligente:
Envia uma prostituta, além de alimentos e cerveja, e manda que esta seduza e faça sexo com Enkidu. Durante seis dias e sete noites Enkidu tem relações com a prostituta e, após o tal fato, deixa de ser um animal selvagem tornando-se um ser "liberto" de sua condição "atrasada" e convertendo-se em "irmão" de Gilgamesh acompanhando-o até o fim de sua vida.
Concluímos então que o valor dado ao sexo pelos sumérios extrapola a simples barreira do ato reprodutivo, mas é visto como algo libertador, esclarecedor e elo de ligação com o mundo.


Se talvez o amigo leitor tenha surpreendido-se com a atitude suméria em relação ao sexo, o que dizer então dos egípcios?
O Egito tinha uma visão de sexo mais abrangente que aquela dos sumérios.
Incesto, masturbação, prazer sem compromisso e orgias eram mais comuns do que se pensa.
De fato os egípcios acreditavam que o deus Atom(Atum) criou o universo após masturbar-se e o sêmen expelido teria, literalmente, gerado a vida. Ísis e Osíris eram irmãos e amantes, mas não apenas para gerarem outros filhos, ou deuses como na mitologia grega por exemplo, mas com o intuito único de sentir prazer descompromissado e livre.
Os egípcios davam valor ao sexo para a geração de filhos mas possuíam métodos contraceptivos que iam desde sucos milagrosos a fezes de crocodilo, o que indica que o sexo era praticado sem culpa ou temor, como em alguns casos hoje.
O casamento também tinha seu valor moral e social e, como na Suméria, a fidelidade era exclusivamente feminina, pois os homens poderiam casar-se várias vezes e ter concubinas mas, ironicamente, poderiam apenas fazer sexo digamos nos "trâmites legais", deixando os bordéis e as prostitutas para os solteiros e aventureiros.
O adultério era considerado crime passível de apedrejamento, desmembramento, mutilação e morte para as mulheres e, como era comum para a época, mutilação ou pagamento de multa para os homens. O incesto era prática corriqueira:
Pais e filhas, mães e filhos, tias e sobrinhos, primos e primas, irmãos e irmãs.
Poemas, desencavados em alguns sítios arqueológicos, relatam o forte elo sexual entre irmãos que praticavam o ato apaixonadamente.
De fato se observarmos alguns mitos de criação perceberemos que, em sua maioria, a humanidade precisou do incesto para multiplicar-se e, talvez por isso, sua prática fosse vista com naturalidade.


Tanto na Suméria quanto no Egito o sexo não era visto como algo condenável, sujo ou pecaminoso. Era justamente o contrário, egípcios e sumérios acreditavam que a pratica sexual os aproximava de suas divindades, que seus efeitos eram curativos e de alto grau de espiritualização.
É claro que crimes sexuais, como o estupro, aconteciam como acontecem hoje, isso é inegável e sempre existiu em nossa história.
Mas talvez nos sintamos incomodados ao descobrir que o mundo antigo não era como um "convento" onde o sexo era algo pecaminoso e proibido como nossas instituições religiosas nos levaram a acreditar durante séculos a fio.
Não devemos julgar, nos barbarizar ou condenar as práticas sexuais de tais épocas, nossas escolhas e pensamentos atuais não são parâmetros para o pensamento geral da trajetória humana neste planeta.
Crer que o sexo deve ser pensado, sentido e vivido baseado unicamente no ideal ocidentalizado, enfileirado e cunhado pelo cristianismo é, obviamente, desrespeito e atraso mental de pessoas que querem pintar um quadro mentiroso de uma verdade que só cabe em seu pensamento arcaico e obsoleto.
A história humana carrega suor, sangue, lágrimas e, é claro, sexo. Aliás muito sexo.
Não podemos, em hipótese alguma, alegar que nosso comportamento sexual é o modelo e o ápice de nossa espécie.
Algumas histórias e comportamentos sexuais nos capítulos a seguir podem chocar, ainda mais, o caro leitor.
Ou não! Afinal o sexo é intrínseco de nossa sobrevivência, portanto nada mais prazeroso que observarmos novas maneiras e novos caminhos em sua prática.

http://buscaderazao.blogspot.com.br/

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