17 de jun de 2016

O que é sanidade? E insanidade?

O que é sanidade? E insanidade? Quem é lúcido e quem é louco? Seriam os políticos lúcidos? E os religiosos, seriam eles insanos? E os que estão comprometidos com ideologias, seriam eles lúcidos? Somos controlados, moldados e conduzidos por pessoas nessas posições e será que somos lúcidos e sadios? 

E o que é sanidade? Ser inteiro, sem fragmentação na ação, na vida e em todos os relacionamentos - essa é a própria essência da sanidade. Sanidade significa ser íntegro, saudável e sagrado. Ser insano, neurótico, psicótico, desequilibrado, esquizofrênico, não importa o termo que se queira usar, é ser fragmentado e disperso na ação e no movimento de se relacionar com a própria existência. Cultivar antagonismo e divisões, que são os objetos de troca dos políticos que representam os cidadãos, é cultivar e sustentar a insanidade por intermédio dos ditadores ou dos que assumem o poder em nome da paz ou de alguma ideologia. E o sacerdote: olhemos para o mundo do sacerdócio. O sacerdote se interpõe entre você e aquilo que ele e você consideram como sendo a verdade, a salvação, Deus, o céu, o inferno. Ele é o intérprete e o representante disso tudo; carrega consigo as chaves do céu; condiciona o ser humano por intermédio da crença, do dogma e do ritual; ele é o verdadeiro propagandista. E ele consegue condicioná-lo, porque você quer o conforto, a segurança e morre de medo do amanhã. E os artistas, os intelectuais, os cientistas tão admirados e bajulados - seriam eles lúcidos e sadios? Ou será que vivem em dois mundos diferentes - o mundo das ideias e o da imaginação com suas expressões compulsivas, totalmente separados da sua vida diária de prazer e dor? 

O mundo que o circunda é fragmentado e sua expressão é o conflito, a confusão e a miséria: você é o mundo e o mundo é você. Sanidade é vida vivida na ação sem conflito. Ação e ideia são coisas contraditórias. O ato de ver já é o fazer e não a ideia de primeiro pensar em algo para depois programar a ação a partir de uma conclusão. Isso gera conflito. O analisador é o analisado. Quando o analisador se separa e se considera algo diferente do que está sendo analisado, ele cria o conflito que produz o desequilíbrio. O observador é o observado e nisso reside a sanidade e a totalidade sagrada que é o amor.

Krishnamurti em, Apontamentos de Krishnamurti


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