5 de jun de 2015

Por que o paradigma holotrópico trabalha com vários mestres?

Por que o paradigma holotrópico trabalha com vários mestres?


Dê às boas vindas à verdade em qualquer horizonte em que ele apareça, procure-a nas quatro direções, sem deixar de ir a nenhuma. Em suma, não se torne fanático e de mente estreita. 

Em qualquer lugar onde você encontrar a verdade, seja qual for o nome com que seja rotulada, aceite-a. 

Em seus esforços por uma vida melhor, aceite de boa vontade a ajuda que lhe vem de qualquer forma correta. 

Seja sempre receptivo às ideias e práticas que possam enriquecer as que já conhece. 

Nenhum caminho único leva, por si só, à verdade total. 

Não existe um grupo que tenha o monopólio da verdade, pois seu reconhecimento é uma experiência universal. Recusemo-nos a ouvir os que insistem em viajar por um único caminho, e apenas por ele. 

A verdade não está confinada a nenhuma seita, mas seus fragmentos podem ser encontrados espalhados por aqui e ali. 

Podemos aprender de tudo e de todos, de todos os acontecimentos e ocorrências, algo novo ou uma confirmação do que é velho, algo afirmativo ou algo negativo. 

Quando o instrutor de um ensinamento, um livro ou um exercício é usado como expressão indireta do movimento do próprio Eu Superior para libertar a graça, então é uma completa cegueira condená-lo como falso. 

Por que limitar a ajuda que você está querendo receber a uma única direção? Todos os homens são seus instrutores. A verdade, sendo infinita, possui um infinito número de aspectos. Cada guia espiritual tem a tendência de enfatizar apenas alguns e a negligenciar os outros. 

A inspiração manifestou-se em muitas terras e em diferentes formas, através de séculos distantes e de vários tipos de canais. Por que limitar a cultura a uma contribuição, uma terra, uma forma, um século ou a um só canal? Isso se aplica não só à cultura intelectual e artística, mas também ao seu aspecto religioso. Podemos ir ainda mais adiante nessa questão, e aplicar a mesma ideia aos gurus. Devemos ficar sempre atracados a um único guru? Não podemos, também, respeitar, apreciar, honrar, venerar outros gurus, e deles receber luz? 

"Estude tudo, mas não se vincule a nada", é o melhor conselho. Mas que pena! Os entusiastas ingênuos raramente o ouvem. 

Guarde com teimosia seu território e empunhe a bandeira da independência na busca da verdade, do não-compromisso no relacionamento com os instrutores da verdade. Humilde e alegremente, aceite todo o bem que possa encontrar em seus ensinamentos, mas não faça isso sob um contrato ou voto que o obrigue a tornar-se discípulo. Nesse assunto seja cético, pegando o melhor de cada fonte disponível e não excluindo nenhuma que tenha algo de útil a oferecer.

Aprenda algumas das verdades básicas que cada sistema contém sem se identificar com o próprio sistema. Mantenha a mente aberta e livre para adquirir ideias e práticas valiosas de outras culturas, e evite a atitude fechada, sectária. 

Libertar-se da estreiteza autoritária, convencional e sectária é olhar cada livro inspirado como uma bíblia. 

Essa posição isolada, fora de grupos e rótulos, oferece esta vantagem: o indivíduo é capaz de aproveitar de tudo, aceitar e reconciliar fragmentos de ensinamentos radicalmente diferentes e aparentemente contraditórios. 

Aceite, de todos os ensinamentos, tudo o que tenha valor para você pessoalmente, em seu atual estado mental, e descarte o resto. Esse é o caminho eclético, melhor que o caminho mais comum, que é entrar numa prisão doutrinária única e permanecer nela. Hesite muito antes de se comprometer e ingressar nesta ou naquela organização. Lembre-se de que existem vários aspectos da verdade, e de que pode valer a pena manter-se livre para aprender alguma coisa desses outros aspectos. 

Recomendo sempre àqueles que se sentem fortes o bastante para isso, que evitem entrar em alguma organização, que mantenha sua liberdade, enquanto ao mesmo tempo estudem as doutrinas de quaisquer que sejam as organizações que lhes interessem, de quaisquer que sejam as religiões que lhes chamem a atenção. Essa liberdade torna-os capazes de ter vista para todos os lugares, de estudar de tudo, de questionar corajosamente, de manter a amplitude de visão, a profundeza de pensamento. 

Só essa independência pode alcançar o novo sem perder o que tem valor no velho; todos os outros caminhos são comprometidos, limitados, cativos. 

Permanecendo abertos às verdades de diferentes fontes e juntando-as como mosaicos, chegamos, ao final, a algum tipo de padrão.

Paul Brunton em, A Busca


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