9 de jun de 2015

Nova Terra


CAPÍTULO DEZ - UMA NOVA TERRA

  Os astrônomos descobriram evidências para sugerir que o universo começou a existir 15 bilhões de anos atrás numa explosão gigantesca e que vem se expandindo desde então. Além disso, sua complexidade está aumentando, o que o torna cada vez mais diferenciado. Alguns cientistas postulam também que esse movimento da unidade para a multiplicidade acabará se revertendo. O universo vai parar de se expandir e começará a se contrair outra vez até, finalmente, retornar ao não-manifestado, à condição do nada de onde veio - e talvez repita os ciclos de nascimento, expansão, contração e morte por vezes seguidas. Com que propósito? "Afinal, por que o universo se dá a todo esse trabalho de existir?", pergunta o físico Stephen Hawking, compreendendo, ao mesmo tempo, que nenhum modelo matemático jamais poderia fornecer a resposta.

Se olharmos para dentro e não apenas para fora, porém, descobriremos que possuímos um propósito interior e outro exterior. E, como somos um reflexo microcósmico do macrocosmo, podemos admitir que o universo também tem um propósito interior e outro exterior inseparáveis dos nossos. Seu propósito exterior é criar formas e vivenciar sua interação - o sonho, o jogo, a encenação, seja lá como for que você prefira chamar isso. Seu propósito interior é despertar para sua própria essência sem forma. Em seguida, vem a reconciliação entre os propósitos exterior e interior: levar essa essência - consciência - para o universo das formas e, desse modo, transformar o mundo. O propósito supremo dessa mudança vai muito além de tudo o que a mente humana consegue imaginar ou compreender. E, ainda assim, neste planeta, neste momento, essa transformação é a tarefa que nos cabe. Ou seja, é a harmonização dos dois propósitos, exterior e interior - do mundo com Deus.
Antes de considerarmos a relevância que a expansão e a contração do universo têm sobre nossa vida pessoal, precisamos ter em mente que nada que é dito sobre a natureza do universo deve ser considerado como verdade absoluta. Nem os conceitos nem as fórmulas matemáticas podem explicar o infinito. Nenhum pensamento é capaz de conter a vastidão da totalidade. A realidade é um todo unificado, entretanto o pensamento a divide em fragmentos. Isso causa erros básicos de interpretação - por exemplo, de que existem coisas e acontecimentos separados ou que isto é a causa daquilo.
Todo pensamento pressupõe uma perspectiva, enquanto toda perspectiva, pela sua própria natureza, implica limitação, o que, em última análise, significa que não é verdadeira, pelo menos não absolutamente. Apenas o todo é verdadeiro, porém o todo não pode ser expresso em palavras nem em pensamentos. De uma perspectiva distante das limitações do pensamento e, portanto, incompreensível à mente humana, tudo está acontecendo agora. Tudo o que sempre foi ou o que será existe agora, fora do tempo, que é uma construção mental.
Como exemplo de verdade relativa e absoluta, considere o nascer e o pôr-do-sol. Quando dizemos que o Sol nasce de manhã e se põe ao entardecer, isso é verdade, porém apenas relativamente. Em termos absolutos, é falso. Somente da limitada perspectiva de um observador que esteja na superfície da Terra ou próximo a ela é que o Sol nasce e se põe. Se ele estivesse distante no espaço, veria que o Sol não faz uma coisa nem outra, mas que brilha sem parar. No entanto, mesmo depois de compreendermos isso, podemos continuar a nos referir ao nascer e ao pôr-do-sol, a apreciar sua beleza, a pintá-los, a escrever poemas sobre eles, embora agora saibamos que essa é uma verdade relativa, e não absoluta.
Assim, vou me estender por um momento sobre outra ver-dade relativa: a constituição da forma do universo e seu retorno ao estado sem forma, o que pressupõe a perspectiva limitada do tempo, e observar que relevância isso tem sobre nossa vida pessoal. O conceito "minha própria vida" é, evidentemente, outra perspectiva limitada pelo pensamento, mais uma verdade relativa. Em última análise, não existe nada como "minha", "sua" ou "nossa" vida, uma vez que nós e a vida não estamos separados, somos um.

Eckhart Tolle, O Despertar De Uma Nova Consciência.

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