28 de abr de 2015

Três é demais?

A questão da semana é o caso do internauta que reclama da mulher. Diz que na época do namoro ela se mostrava liberal e dizia que faria sexo a três ou a quatro sem problemas. Mas depois do casamento, se mostrou conservadora e nem quer falar sobre o assunto.

Para os jovens dos anos 60, a geração que ficou conhecida por seu interesse em sexo, drogas e rock and roll, e cujo slogan favorito era make love, not war, o sexo vinha indiscutivelmente em primeiro lugar. A busca era por uma gratificação sexual plena. A liberdade sexual foi o traço de comportamento que melhor caracterizou o Flower Power.


Havia a contestação dos costumes e dos padrões de nossa sociedade judaico-cristã, nossas tradições e preconceitos. Enfim, nossas instituições sociais. A palavra de ordem era “drop out” – cair fora do “sistema”, já que havia a recusa do modo de vida convencional.


Desde então entramos num processo de profunda mudança das mentalidades e novas formas de se viver o amor e o sexo se tornam cada vez mais comum. O sexo a três é uma prática bastante procurada por pessoas solteiras, mas também por muitos casais. Entretanto, nem sempre as coisas são simples.


A conhecida sexóloga americana Ruth Westheimer publicou, em 1995, em sua coluna de jornal, um carta de um homem idoso envolvido com sua esposa e a viúva de seu melhor amigo (falecido pouco tempo antes). Os três gostavam de fazer sexo a três, mas havia uma dificuldade com o sexo oral: a viúva gostava dele, mas a esposa nunca o havia praticado e se ressentia por ele estar sendo realizado.

A sexóloga afirmou então que estas situações são muito delicadas, por isso, ele deveria desistir da prática. “Ao contrário, acho a situação ao mesmo tempo normal e tocante. A viúva está buscando uma família para compensar sua perda. Ela quer prosseguir sua vida sexual e revigorou a vida sexual do casal. Agora, os três têm de conversar sobre o que cada um desejava, e temia, nos últimos quarenta anos. Isso é ruim, Dra. Ruth?” , perguntou uma leitora.

Para reforçar a ideia do sexo a três, o americano Robert Wright, estudioso do tema, afirmou que descobriu, em uma pesquisa, que “os humanos não são uma espécie que se liga aos pares. As mulheres são promíscuas por natureza, desejando mais que um parceiro, e os homens são ainda piores.”


Contudo, para a grande maioria essa prática sexual ainda parece estranha. Afinal, fomos condicionados ao mito do amor romântico, no qual duas pessoas se transformam numa só, havendo complementação total e nada lhes faltando. Fomos ensinados a acreditar que não é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo, que quem ama não sente desejo sexual por mais ninguém, que o amado é a única fonte de interesse do outro.


Esse ideal amoroso começou no século 12, mas ficou à margem do casamento, até meados do século 20. É o amor desejado por homens e mulheres.

Mas podemos observar sinais de que o amor romântico começa a sair de cena, levando com ele a idealização do par romântico, a ideia dos dois se transformarem num só, e consequentemente a ideia de exclusividade. Outras formas de amor, aos poucos, vão se tornando possíveis.

“O amor tem tantas faces quantas tem uma pessoa. Não somos seres com uma única dimensão, nossa identidade não é um produto unificado e acabado. Temos necessidades variadas e contraditórias que às vezes se expressam em diferentes envolvimentos com diferentes pessoas, sem se esgotar numa única forma. Há relacionamentos amorosos baseados no compromisso e em projetos comuns (casamento), outros com ênfase no aspecto erótico, outros em afinidades intelectuais ou outras, alguns sobrevivem às distâncias e ao tempo, outros exigem proximidade, e assim por diante.” , diz a psicanalista Noely Moraes.


O desejo crescente, que se observa em homens e mulheres, de participar de uma relação amorosa a três é provavelmente consequência da diminuição do ideal de fusão com uma única pessoa, característica do amor romântico.


O comportamento sexual evolui após as vanguardas apontarem tendências e arriscarem novos caminhos. As escolhas do passado não são irreversíveis. Aos que resistem às mudanças, desacreditando em novas formas de viver, é importante lembrar que há cem anos os casais mantinham relações sexuais com luz apagada e sob lençóis.


Hoje práticas, que só eram usuais nos bordéis, fazem parte da intimidade das famílias mais respeitadas. Há 50 anos era impensável uma moça deixar de ser virgem antes do casamento. Agora, isso não é nem discutido; muitos namorados dormem juntos à vista dos próprios pais.


Entretanto, penso que da mesma forma como ocorre com qualquer outra prática sexual, o sexo a três só tem sentido se as pessoas envolvidas o desejarem.

Em hipótese alguma deve ser praticado para agradar o outro ou para corresponder a expectativas que não estejam diretamente ligadas ao prazer sexual. Caso contrário, podem surgir mágoas e ressentimentos. O preço para a relação pode ser tão alto, a ponto de inviabilizá-la.

eginanavarro.blogosfera.uol.com.br/


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