14 de mai de 2014

Por Que Celso Daniel Foi um Mártir de Uma Causa Maior: A Eleição de Lula em 2003

Posted by Liberte Sua Mente on quarta-feira, 14 Maio, 201



Abordar certos assuntos pode fazer com que instantaneamente se seja acusado de criar ou propagar teorias da conspiração. Isso se dá principalmente quando não se tem provas em mãos, mas apenas evidências. Porém nada impede que alguém seja condenado não com base em provas irrefutáveis, mas evidências incontornáveis. O caso dos Nardoni é exemplar. O fato de Cembranelli, o promotor que os acusou, fazer agora parte do julgamento dos assassinos de Celso Daniel é sintomático.

Sombra, que estava com o então prefeito de Santo André quando ele foi sequestrado em 2002, poderá ser condenado sem que se tenha qualquer prova irrefutável de que ele encomendou e até participou do crime. Fato. Mas qual teria sido a motivação?

Há pelo menos quatro explicações para o assassinato do ex-prefeito de Santo André:

i. Foi crime comum. Celso Daniel foi sequestrado por causa de um roubo corriqueiro, assim como o prefeito de Campinas foi metralhado sem motivação maior alguma.

ii. Em 2002 surgiram supostas ameças, por cartas ou e-mails, a membros do PT — incluindo aí um grupo de extermínio de petistas auto-intitulado FARB (Forças Armadas Revolucionárias Brasileiras). Essas mesmas ameaças foram usadas para atacar a política de segurança pública do então governador, Geraldo Alckmin, e também para tentar abrir CPIs.

iii. Não foi crime comum, mas sim passional. Sombra matou Celso Daniel porque ambos tinham um affaire. E aqui caberia perguntar: mas o que teria feito com que Sombra quisesse matar Celso Daniel? Era porque o amava demais? Vale lembrar também que essa versão circulou internamente pelo PT e várias pessoas ligadas ao partido a repetiram como se fosse uma verdade universal irrefutável.

iv. Celso Daniel foi um daqueles prefeitos petistas, eleitos durante a década de 1990, que implantou um método de desvio de recursos públicos para o financiamento do seu partido. Em algum momento o desvio ideológico passou a servir para o usufruto pessoal e se fez um dossiê que simplesmente poria fim às pretensões de Lula em 2002. O prefeito então foi o mártir de uma causa maior: a eleição do “Filho do Brasil”.

Qual dessas versões é a mais plausível ou verossímil? Cerca de sete pessoas, incluindo o garçom a ter servido Daniel na noite de seu sequestro, foram mortas. Houve até resgate por helicóptero de uma prisão. Hoje se apura a participação de Gilberto Carvalho e José Dirceu no esquema, que desviaria recursos das empresas de ônibus e lixo de Santo André. Esses mesmos recursos viajariam com Carvalho para o então diretório central do PT, na Sé, para as mãos de Dirceu.

Há dois processos paralelos. Um deles visa a apuração da responsabilidade pela morte de Celso Daniel, o outro apura os responsáveis pelo desvio de alguns milhões de reais da prefeitura de Santo André. O problema é que ambos caminham separadamente e provavelmente será assim até o fim.

Mesmo que se condene os assassinos imediatos de Celso Daniel e Sombra seja considerado o mandante, nunca será apurado por que afinal de contas mataram o prefeito. Isso a despeito de Cembranelli ter declarado que parte do dinheiro desviado dos cofres de Santo André foi para o caixa dois da campanha de Lula em 2002. Mas que adianta apurar isso agora, oito anos depois? Duda Mendonça, marqueteiro e criador do “Lulinha Paz e Amor”, declarou publicamente ao Congresso ter recebido dinheiro de caixa dois em paraíso fiscal. O que a oposição fez? Por acaso abriu o processo de impeachment de Lula? Não, acreditaram que ele sangraria lentamente e que o PSDB facilmente venceria em 2006. Perdendo, acharam que ganhariam facilmente em 2010.

Isso quer dizer o seguinte: a oposição compactuou com os desmandos do PT e nada foi apurado seriamente até hoje. Sem falar ainda nos ataques do PCC em 2006, semanas antes das eleições para o governo do estado e para a presidência, que foram usados tanto em 2006 quanto em 2010 por petistas para criticar a política de segurança pública do PSDB, a melhor do país (10 assassinatos por 100 mil pessoas).

Houve também em 2008 a mobilização de Paulinho da Força, apoiado pela ex-rival CUT, que resultou simplesmente no confronto da Polícia Civil contra a Polícia Militar, que protegia o Palácio dos Bandeirantes e o governador José Serra.

Até onde é possível saber, os executores de Celso Daniel pertenciam ao crime organizado, talvez ao PCC. Foram contratados para fazer o serviço. Justamente o mesmo PCC que em 2006 realizou a já mencionada série de ataques a delegacias de São Paulo com fim evidentemente eleitoral.

Por isso, não é assim tão difícil perceber a conexão com o crime organizado e seu uso político, seja para calar eternamente um rebelde do próprio rebanho, seja para atacar a política de segurança pública do adversário.

http://adrianocorreia.com

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